quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Galpão




Galpão...

Templo quinchado pras inverneras da pampa

Pedaço de história , de tempos já esquecidos...

De homens que ali viveram, contaram causos,

Chimarrearam, e adormeceram pra vida.

Homens da lida, das coisas simples do pago...

Que do lombo de seus cavalos, fizeram nosso este chão.



Galpão...

Da picumã na “cunheira”...

Do fogo grande aonde o angico braseia

E a trempe de pernas longas, embala uma velha panela preta...

Sobre uma roda de carreta,

Cuia e cambona repousam...

Parece que o tempo não passa

Neste terrunho cenário.



Ah! Meu galpão centenário...

Trincheira pra o minuano

Abrigo dos ovelheiros, da peonada pachola.

Recanto de brisa suave, nas soalheiras de janeiro...

Da figueira grande sombreando a porta

Como um poncho de asas negras

Num abraço fraternal.



Galpão do negro caseiro,

Morada de seus avós...

Dos que fizeram a mangueira

De pedra ali no canto, alicerçada a sangue e suor.

Dos gritos de dor e medo, nas horas mortas da noite,

Feitas por algum açoite de gente sem coração...

De almas que ainda vagueiam,

Clamando por liberdade.



Galpão de Pátria e saudade

De um Rio Grande que não morre.

De tauras de almas rudes forjadas de terra e campo...

Lugar que se perpetua

Pras gerações que hão de vir

Pra que conheçam e cantem as coisas da nossa terra...

Enchendo o peito de orgulho

Por ter nascido gaúcho.




( Ivonir Leher, outono, 2001)
 
Fonte da imagem acima: Galpão de pedra, em Herval, RS

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