sábado, 31 de dezembro de 2011

Lançamento do CD e DVD da 18ª Estância da Canção Gaúcha

Em entrevista coletiva na manhã da quinta-feira, 22 de dezembro, ocorreu o lançamento oficial do CD e DVD da 18ª Estância da Canção Gaúcha, realizada em outubro deste ano. A nova obra foi lançada pelo secretário municipal de Turismo, Cultura, Desporto e Lazer, Nairo Gonçalves, juntamente com o presidente do festival, Paulo Ricardo Saavedra Pinto dos Santos e o patrão da Coordenadoria Tradicionalista Municipal Maurício Pinto. O intérprete nativista Luciano Maia também prestigiou a coletiva.
O secretário destacou que o ato deflagrava o início formal dos preparativos para a 19ª Estância da Canção Gaúcha, que irá acontecer em 2012. “O prefeito Rossano Gonçalves já determinou prioridade absoluta na organização deste evento, e com certeza a equipe trabalha desde já para oferecer à comunidade gabrielense o que há de melhor na cultura nativista gaúcha”, ressaltou.
O presidente do festival, Paulo Saavedra, ressaltou o fato de o CD e DVD da 18ª edição estarem sendo lançados três meses após o evento. “Normalmente se lança o CD e DVD da última edição poucos meses antes do novo festival, mas este ano conseguimos imprimir um ritmo mais célere e oferecer à comunidade o registro fonográfico e visual da Estância no mesmo ano em que ela ocorreu”, ressaltou, informando em primeira mão que o intérprete Luciano Maia será um dos jurados do evento em 2012.
O CD e o DVD já estão disponíveis em estabelecimentos como Loja Barriga Verde, Miscelânea e Armazém Criollo, a preços populares: R$ 10,00 (dez reais) o CD e R$ 15,00 (quinze reais) o kit com CD e DVD.

*Cláudio Moreira – MTb 010499

FONTE: SITE DA PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GABRIEL

 Fazem parte do CD e do DVD as seguintes composições:

Embretados - Davi Teixeira/Piriska Greco
Cordeona-me - Gujo Teixeira/Luciano Maia
Quem Sou Eu? - Everton Michels/Romulo Chaves/Piero Heleno
Flor de Tuna - Edilberto Teixeira/Ênio Medeiros
Meus Olhos de Carreteiro - Ivonir Leher/Felipe Cornel
Bochincheiro e Mal Domado - Macedinho
De Tropa, Aparte e Lembrança - Jorge Machado/Mateus Alves
As Flores e a Cruz - Volmir Coelho
Bisavô - João Sampaio/Érlon Péricles
Alumbramento - Gujo/ Luciano Maia
A Verdade - Angelo Franco/Tuni Brum
A Sombra da Espora - Volmir Coelho
Milonga de Jogar a Vida - Heleno Cardeal/Lanes Cardeal
Chê de Deus - Evair Gomes/Zeca Alves/Ricardo Martins
Pétala Negra  - Carlos Omar V. Gomes/Erlon Péricles




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Ilha das Flores e um pouco de São Gabriel... da Cachoeira

Devido a minha enorme preguiça em escrever, encontrei na internet este importante relato sobre a cidade na qual vivi por 2 anos e sobre a comunidade da Ilha das Flores, na confluência dos rios Negro e Uaupés, cerca de 3 horas de barco rio acima partindo de São Gabriel, em direção norte. Fiz este passeio em abril deste ano (mas só estou postando agora, desculpem) mas antes tarde do que nunca...

Eis o artigo extraído do Site BRASIL,ALMANAQUE DE CULTURA POPULAR, escrito por Heitor e Sílvia Reali...
 Ponte entre povos
Com apenas 40 mil habitantes, o terceiro maior município do Brasil tem área superior à de Portugal. Encravado no coração da floresta, São Gabriel da Cachoeira possui 90% de mata virgem e uma população fiel e enraizada em suas tradições.

São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, oferece ao viajante um lampejo da sabedoria dos indígenas. De Manaus são 1.150 quilômetros pelo rio Negro, segundo maior rio em volume de água do mundo – só perde para o Amazonas. Em horas de voo, são quase três. Se o tempo estiver bom, vale ir direto para a janelinha espiar a mata virgem. Depois que a aeronave tomar a direção norte, o rio Negro desaparece, mas não sem antes dar um show, formando as ilhas de Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial da Terra.

A seguir começa a solidão da Amazônia. A floresta parece estender-se ao infinito. Extensões imensas de um verde que passa da conta. Habitada há 3 mil anos, a região noroeste da Amazônia brasileira apresenta um conjunto altamente diversificado de paisagens: matas fechadas com vegetação de porte alto, terras inundadas, savanas, capoeiras, palmeirais. Em comum, os rios que as serpenteiam e que, com a estiagem de outubro a fevereiro, desenham praias de areia branca de rara beleza.

Quando nos aproximamos de São Gabriel da Cachoeira, a natureza torna-se ainda mais exuberante. Um imponente maciço azul parece levantar-se do meio do verde. É a Serra de Curicuriari, também conhecida como Bela Adormecida, por sua formação que lembra a silhueta de uma jovem deitada. 



subindo em direção a Ilha das Flores...
 Verdadeira Amazônia
A cidade é pequena. A igreja matriz e o colégio salesiano são ainda suas maiores construções. O antigo  povoado colonial-militar do século 18 abriga cerca de 40 mil habitantes, a maioria índios. É o terceiro maior município do Brasil em extensão, com área superior à de Portugal. E com 90% de mata virgem.

O olhar sobre a região, entretanto, não se deve resumir à fauna e à flora, mas também à presença de uma população fiel e enraizada em suas tradições. Os indígenas são lúcidos no resguardo e na revitalização de sua cultura milenar, na briga contra sua cidadania encurralada, na luta por uma vida digna. Uma viagem a essa comunidade pode ser uma iniciação sobre a verdadeira Amazônia.

Há 21 anos os ventos começaram a soprar a favor dos 22 grupos étnicos que habitam a região. Foi quando surgiu a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. O direito dos índios em manter suas tradições encontrou aliados de peso. O Instituto Socioambiental, de ampla experiência no trabalho antropológico na região, uniu-se ao Iphan e, com os indígenas, conseguiram preservar a cachoeira Iauaretê, ameaçada de sumir do mapa pela construção de um campo de pouso. A cachoeira é local sagrado para muitas etnias. Os anciãos afirmam que dela surgiu a raça humana – índios e brancos. Porém, não todos os brancos: somente aqueles que juntam forças com os indígenas.


Preste atenção
O amanhecer no rio Negro surpreende. Ainda sob a névoa matinal que ensombrece os contornos do relevo, tons quentes de carmim e laranja se espelham nas águas escuras do rio. Um instante mágico.


Sob o signo da união
Mais do que o registro pelo Iphan como patrimônio cultural, Iauaretê desencadeou outra ação importante: a devolução dos basá busá – ornamentos sagrados de dança – para seus verdadeiros donos. Sentindo confiança em seus novos parceiros, os indígenas expressaram o desejo de reaver as peças cerimoniais que “jaziam” há mais de 70 anos no Museu dos Índios mantido pelas freiras do Patronato de Santa Terezinha, em Manaus.

Apesar de quase um século fora de seu local de origem, este material nunca deixou de ter importância para a história e a cultura das etnias de fala tukano do rio Uaupés e do povo tariano. Entre essas peças, estão colares, as acângataras – uma espécie de cocar feito de penas de Arara, tucano, japu e garça –, cordas de pelo de macaco e cintos de dentes de onça e capivara. No histórico dia da restituição, em dezembro de 2008, vários chefes de tribos e numerosos indígenas do rio Negro estavam presentes. Muita gente e grande emoção. É sob o signo da união, portanto, que se deve conhecer São Gabriel da Cachoeira.


Não deixe de saborear

A pimenta produzida pelos baniwa em suas plantações secretas é imperdível. Resultado de uma mescla de várias sementes e condimentos, não é muito picante.


São Gabriel da Cachoeira tem Mais
Ilha das Flores 


 Mesmo quem já navegou pelos rios amazônicos e conhece sua natureza singular se encanta quando percorre os igarapés. A mata sombria iluminada pela luz que abre brechas entre as copas das árvores, formando fachos luminosos, cria uma atmosfera jurássica. Ouvir os pássaros é fácil, mas vê-los é quase impossível devido à densidade da floresta. Entre esse estranho jogo do real e das sombras, chega-se à comunidade baniwa Ilha das Flores. Ali plantam-se diferentes espécies de pimentas para um tempero especial. Mas não se permite que os não indígenas vejam as plantações: “Olho de seca pimenteira”, dizem os baniwa. Longe de duvidar.

Wariró
Loja de produtos indígenas do Alto do Rio Negro. Na espaçosa casa podem ser encontradas peças produzidas pelas diferentes etnias da região: cerâmicas e cestarias ricas em grafismos e tingidas com pigmentos naturais, tapetes, bancos, pulseiras, brincos e colares de sementes coloridas, além de CDs e livros que narram a história desses povos.

Pontão da Cultura
Inaugurado em dezembro de 2008, o local abriga a exposição Basá Busá – Ornamentos de dança até junho deste ano. Estão expostos cocares, colares e braçadeiras feitos de penas de pássaros, pelos de macaco e sementes silvestres.

..as águas traiçoeiras do Rio Negro



Aos recém chegados em São Gabriel da Cachoeira, um aviso...
Cuidado com as águas escuras do majestoso Rio Negro. Rio das águas cor de chá, convidativas para um banho refrescante para amenizar o calor de 40 graus da selva amazônica. Lugar repleto de lendas, histórias e mistérios, este rio esconde nas suas profundezas pedras gigantescas, que em virtude de sua grande profundidade e escuridão, criam redemoinhos que tragam as pobres almas desavisadas... neste mês de novembro, tivemos um amigo que mergulhou nos seus segredos e nunca mais voltou... sentidas saudades a seus familiares e a dor de sua partida ficará para sempre no coração dos seus amigos.
Quando morre um músico, desafina-se uma sinfonia...

ano passado escrevi este poema em homenagem ao Rio Negro, acho que é hora de postar...
Rio Negro

Rio Negro das águas matreiras
Que correm ligeiras na calha do rio
Rio Negro das águas traiçoeiras
De mil corredeiras, das pedras de fio...

Tuas águas escuras escondem segredos
Que a areia branca revela nas secas
Um banco de pedras, um barco afundado
Um sonho roubado, ao clarão da lua.

Nascido Guainía, em terras da Colômbia
Navega sinuoso na selva imponente
Rio Negro das lendas, dos causos antigos
Das vidas perdidas nas suas profundezas...